“Sobre a importância do vazio” ou “Haja espaço para esticar as pernas e tempo para fazer nada”

As boas ideias nascem todas da mesma forma. Descendem todas do haver espaço e do tempo para se olhar à volta – a contemplação. Li algures que estando no inferno, há dois caminhos: tornar-se infernal ou abrir espaço para o que pode ser melhor conseguir crescer.

Quando certa vez é entrevistado por Robert Ebert, pergunta-se a Hayao Miyazaki – o génio de “O meu vizinho Totoro”, “A viagem de Chihiro” e “O Castelo Andante” – qual é a ideia por detrás de tantas cenas que não acrescem à narrativa, que não pretendem desenvolver nem as personagens nem a história?

A pergunta remete para, por exemplo, a cena em que Sasuke e Totoro aguardam à chuva. Porquê tantos silêncios e tantas cenas em que se assiste ao passar do tempo. Miyazaki responde que o silêncio presente nesses momentos é totalmente intencional e cumpre um papel essencial na narrativa.

Os japoneses até têm uma palavra para isso (“ma”), que vem da junção dos caracteres “porta” e “sol”. Significam a ausência de qualquer coisa e espaço para que possa entrar o Sol, a porta…


“Eles preocupam-se muito que a audiência se aborreça. Mas não é por um filme estar 80% do tempo preenchido com momentos intensos, que as crianças te vão abençoar com a sua concentração.”

Hayao Miyazaki

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