Seguiu-se uma pausa, após a qual a farrapeira, cedendo a essa necessidade de expansão que é o fundo da natureza humana, acrescentou:
– Pela manhã, assim que me recolho a casa, despejo o meu cesto e começo a arrumar o que acerto de trazer dentro dele. Tudo são montinhos no meu quarto. Os farrapos deito-os a um cesto e os que são de linho arrumo-os num armário, os troços deito-os numa panela, os farrapos de lã mete-os na cómoda, os bocados de papel ponho-os ao canto da janela, o que ainda pode servir para comer vai para um alguidar, os pedaços de vidro em cima do fogão, os chinelos atrás da porta e os ossos debaixo da cama.
in “Os Miseráveis”, Victor Hugo
