Não há uniforme mais apropriado para a preguiça do que o roupão. O mero facto de se ter um é sinal de esperança, um símbolo de que se pretende ser negligente. Os roupões acompanham o estado de não fazer nada, mas o que é que está verdadeiramente a fazer quando não está a fazer nada? A pensar, é isso que está a fazer.
A sociedade tem medo das pessoas com tempo para pensar. Sabe-se que são as pessoas desse género que costumam mudar as coisas. É por isso que o roupão é o verdadeiro uniforme da revolução. No futuro, numa qualquer altura bem distante da nossa, os homens e as mulheres olharão com assombro para o dia em que os donos do poder global foram finalmente derrubados – por um exército de pessoas vestidas de roupão. [DK]
O Livro dos Prazeres Inúteis, por Dan Kieran e Tom Hodgkinson (Quetzal)
