“Se for nesta direção para onde estou a apontar com o meu bastão, vai dar a um vale onde pode andar de um lado para o outro durante horas sem medo nenhum”, disse ele. “Não tenha medo de ser descoberto”. Não lhe vai acontecer nada: está tudo morto e bem morto. Nem tesouros enterrados, nem colheitas, nada. Vai encontrar uns quantos vestígios desta ou daquela época, pedras, restos de muros, sinais, mas de quê, isso ninguém sabe. Uma certa relação misteriosa com o sol. Troncos de bétulas. Uma igreja em ruínas. Esqueletos. Vestígios de animais selvagens que andaram por ali. Quatro, cinco dias de solidão, de silêncio”, disse ele. “A natureza completamente intocada pelo homem. Cascatas isoladas. É como caminhar através de um milénio anterior aos seres humanos”.
Geada, por Thomas Bernhard
