Na paz das coisas selvagens

Quando o desespero do mundo cresce em mim
e acordo à noite ao mínimo ruído
com medo do que a vida possa ser para mim e para os meus filhos,
vou estender-me onde o pato-carolino
repousa a sua beleza na água, e a garça real se alimenta.

Expondo-me à paz das coisas selvagens
que não empenham a vida premeditando
a tristeza. Apresento-me à placidez das águas.
E pressinto, sobre mim, as estrelas
aguardando com a sua luz. Por momentos,
descanso na graça do mundo, e sou livre.

Wendell Berry, “The Peace of Wild things”, The Selected Poems of Wendell Berry. Berkeley: Counterpoint, 1999. Tradução de Patrícia C. A.