Que caminhos tortos, selvagens, estreitos, intransitáveis, que desvios terríveis a humanidade tem escolhido na sua aspiração de alcançar a verdade eterna, quando perante ela se abria todo um caminho recto, como a rota que leva ao magnífico palácio destinado ao czar! Era mais largo e luxuoso, este caminho, do que todos os outros, alumiado de dia pelo sol e de noite pelas luzes, mas os homens foram pela escuridão, não tomaram por ele. Tantas vezes a razão lhes foi enviada dos céus e, mesmo assim, conseguiram afastar-se e desviar-se do rumo certo, souberam, à própria luz do dia, perder-se nos desertos intransitáveis, souberam tapar os olhos uns aos outros com a cega neblina e, arrastando-se atrás dos lumezinhos dos pântanos, atingir a beira do abismo para depois, aterrorizados, perguntarem uns aos outros: onde está a saída, qual é o caminho?
Aventuras de Tchítchikov Almas Mortas – Poema, de Nikolai Gógol
Tradução do russo: Nina Guerra e Filipe Guerra
