
Let’s go exploring!


O Vice-Presidente da Pantone Color Institute diz que a decisão procura respeitar um mundo exausto que quer alívio e distanciamento emocional. “Nós queremos dar um passo atrás”, disse ele.
O branco etéreo, o dançarino das nuvens.
Só que este branco não confere aos objetos, às paredes, à roupa ou ao nosso humor, a qualidade de estar em relaxamento. Pode ser antes frio, clínico, artificial. Ao contrário da ausência de estímulos, é uma sala com demasiada luz sem calor. Um espaço estéril. O holofote que o dentista nos aponta enquanto nos pede para abrir a boca. É isto que queremos para 2026? 12 meses de visitas ao dentista?
É a cor da armadura dos Stormtroopers. Não lembra necessariamente sossego, pode ser o símbolo da opressão do Império.
O que estamos a dizer quando ansiamos que o ano 2026 venha vestido com PANTONE 11-4201? Talvez seja equivalente a: não quero ver cores. Não as tolero, pelo menos por agora, quero pré-branquear com lixívia o meu ano futuro. É um ato de prevenção quando já não se vai a tempo disso, mas sim de tratamento efetivo.
Outro lado desta intolerância ao que é assumidamente de qualquer cor pode ser o nosso desejo por transparências. Ser tão transparente que se perde a realidade das nossas próprias cores. Exigir a totalidade do que é transparente é pedir tudo branco, rejeitar a possibilidade de mistura, do que é sólido e duro – queremos vidros em todo o lado.
A natureza absolutista do PANTONE 11-4201 não gera dúvidas: é branco. Não há ambiguidade. Não há mais para além disto, nenhuma intenção escondida. É branco, é unicamente isso, não há nada por cima ou por debaixo desta realidade. É passar um corretor em cima do caos e não escrever um novo parágrafo.
O 11-4201 para 2026 não é um convite à neutralidade que conduz à paz, mas uma rendição de quem já desistiu antes de tentar, acenando com força uma bandeira branca coletiva.
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