– Aí temos agora o fogo atrás de nós, abrasando-nos os rins. Nunca nesta estrada se viu tão claro de noite. Oh! Zeus! Se não mandas um dilúvio que apague este fogo, é porque seguramente já não te interessas pela tua Roma! Uma cidade diante da qual se inclinavam a Grécia e o mundo inteiro! E agora, um grupo qualquer, o primeiro que apareça, poderá torrar as suas favas nas cinzas de Roma! Quem se atreveria a prevê-lo! E não haverá nunca mais cidade romana, nem senhores romanos… E aqueles que tiverem a fantasia de passear entre os escombros já frios e assobiar entre as ruínas poderão assobiar sem receio! Deuses imortais! Assobiar sobre uma cidade que dominava o universo! Que grego ou que bárbaro o teria jamais podido imaginar? E realmente poder-se-á assobiar à vontade. Porque um montão de cinzas, quer provenham duma fogueira de pastores ou do braseiro duma cidade ilustre, não passa de ser um montão de cinzas. E cedo ou tarde o vento acabará por espalhá-lo.
“Quo Vadis?”, por Henryk Sienkiewic
