Ouvi dizer que o perigo estava aqui. Já chegámos?

Como sempre ouvira dizer que os arbustos de framboesas eram o paraíso das víboras, deixei Lince em casa. Foi com bastante relutância que ele se conformou com a ideia e se arrastou, desolado, para o seu buraco no fogão. Calcei por cima dos sapatos umas velhas polainas de cabedal que haviam pertencido ao guarda e que me dificultavam muito o andar, pois davam-me por cima do joelho. Claro que não vi uma única víbora junto às framboesas. Hoje já não quero saber delas. É possível que esta zona não seja de cobras, ou tão-só que elas fujam de mim. Talvez me considerem tão perigosa como eu a elas. 

A Parede, por Marlen Haushofer